500 Milhas de Kart leva pilotos ao limite em 12h de pura exaustão

Prova na Granja Viana massacrou o físico e testou o psicológico de estrelas e novatos. Veja quem sobreviveu à maratona de 700 voltas.

Crédito: KMCom / Divulgação

A 500 Milhas de Kart não perdoa erros e cobrou um preço alto de quem subestimou o traçado de Cotia neste sábado (20). O que deveria ser apenas a festa de encerramento do automobilismo brasileiro transformou-se em uma batalha de resistência física e mental, onde a estratégia pesou mais que a velocidade pura.

Enquanto o público via ultrapassagens, os 62 times enfrentavam o calor e o desgaste de 12 horas ininterruptas. Nomes como Kiko Porto, Francisco Rocha e a revelação Bernardo Tambasco sentiram na pele a brutalidade da competição. Para cruzar a linha de chegada, foi preciso muito mais que talento: foi necessário sobreviver ao caos da 500 Milhas de Kart.

Drama e recuperação nas 500 Milhas de Kart

Nenhuma história ilustra melhor a tensão da prova do que a de Bernardo Tambasco. O mineiro estreou na competição conhecendo o lado cruel do esporte logo nas primeiras voltas. Um travamento nos freios jogou o kart #217 da Car Racing para o fim do pelotão, transformando o sonho do pódio em um pesadelo logístico.

A equipe, composta também por Alejo Caracoche, Arthur da Rocha e Felipe Mariano, recusou-se a aceitar a derrota. Em uma guiada livre de erros e punições, eles escalaram o grid volta a volta. A recompensa veio com a bandeirada final: 21º na geral e um heroico 3º lugar na categoria Sprint.

“A estratégia foi muito boa durante toda a corrida. Todo mundo ajudou, cada detalhe contou e deu tudo certo no final”, desabafou Tambasco, exausto e feliz.

Para quem busca entender a complexidade de uma 500 Milhas de Kart, o desempenho de Tambasco serve de aula: a corrida não se ganha na largada, mas se conquista na resiliência.

Box estrelado e a pressão da Categoria Sprint

Se de um lado havia recuperação, do outro havia a pressão de performar sob os olhares de lendas. Francisco Rocha (kart #18) não teve vida fácil. Dividindo a estrutura com Pipo Massa e Vicky Farfus, o piloto teve nos ouvidos as orientações de ninguém menos que Felipe Massa e Augusto Farfus.

O time mostrou força bruta na classificação, garantindo o P3 na Sprint. Durante a corrida, a constância do quarteto — que incluiu Marcella Assumpção — foi colocada à prova contra o relógio. Após quase 650 giros, Rocha garantiu um sólido lugar no Top 9 da categoria.

A experiência de absorver conhecimento “in loco” com ícones da F1 valeu tanto quanto o troféu. Rocha sai da 500 Milhas de Kart com uma bagagem técnica que poucos pilotos de sua idade possuem para encarar 2026.

O campeão da IMSA contra a mecânica

Nem mesmo um título internacional blinda um piloto dos imprevistos desta maratona. Kiko Porto, recém-chegado dos EUA com o troféu da IMSA na bagagem, viu sua chance de vitória escapar por problemas mecânicos no primeiro stint.

Pilotando o kart #100, Porto, Uli Dias, Henrique Baptista e Alê Xavier tiveram que gerenciar o equipamento para completar 516 voltas. Longe da briga pelo topo, o pernambucano ressignificou sua participação. Para ele, estar na 500 Milhas de Kart é honrar suas raízes.

“Ninguém quer perder quando entra na pista, mas demos o nosso melhor e nos divertimos bastante”, analisou Porto.

A prova encerra o calendário de 2025 deixando claro que, na Granja Viana, o respeito pela pista vem antes da glória. Pilotos e equipes agora iniciam o breve recesso, já planejando a revanche estratégica para a próxima edição das 500 Milhas de Kart.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 22/12/2025
  • Fonte: FERVER