Quaest: 42% concordam mais com Michelle em atrito com Flávio Bolsonaro
Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (15) também mostra que a maioria dos entrevistados considera que a ex-primeira-dama acertou ao tornar público o desentendimento com o enteado.
- Publicado: 15/07/2026 07:52
- Alterado: 15/07/2026 07:52
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) mostra que 42% dos entrevistados tendem a concordar mais com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) no desentendimento com o enteado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Outros 18% concordam mais com Flávio.
Veja os números da concordância com cada lado
| Resposta | Percentual |
|---|---|
| Michelle Bolsonaro | 42% |
| Flávio Bolsonaro | 18% |
| Com os dois em parte | 3% |
| Não concorda com nenhum dos dois | 22% |
| Não sabe/não respondeu | 15% |
Questionados se já sabiam dos vídeos divulgados por Michelle, 49% dos entrevistados responderam que sim, enquanto 51% disseram ter tomado conhecimento apenas naquele momento. Sobre a decisão de tornar público o desentendimento, 45% avaliaram que Michelle acertou, contra 38% que consideraram um erro; os outros 17% não souberam ou não quiseram responder.
Diretor da Quaest vê fragilidade na base de Flávio
O levantamento foi encomendado pelo Banco Genial e ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07181/2026.
Para Felipe Nunes, diretor da Quaest, o episódio expõe uma fragilidade na campanha de Flávio entre eleitores alinhados à direita. Segundo ele, os vídeos parecem ter provocado dano dentro da base potencial do senador:
“Os vídeos divulgados parecem ter provocado algum dano dentro da base potencial de Flávio, já que 35% da direita e 20% do bolsonarismo acham que Michelle acertou ao divulgá-los. O desgaste eleitoral parece visível quando 53% dos eleitores de direita afirmam que a participação direta de Michelle na campanha aumentaria as chances de vitória de Flávio.”
Relembre o desentendimento entre Michelle e Flávio
O atrito veio a público em 24 de junho, quando Michelle publicou vídeos nas redes sociais em que afirmou ter sido maltratada, desrespeitada e humilhada por Flávio durante uma conversa por telefone, motivada por divergências sobre alianças eleitorais do PL no Ceará. Segundo ela, os dois não se falavam desde o fim de 2025, e a conversa a fez entender que o enteado não queria seu apoio à pré-candidatura, ou considerava esse apoio insignificante.
Depois da publicação, Flávio pediu desculpas e disse não ter tido intenção de ofendê-la. No dia seguinte, Michelle negou que houvesse “briga” ou “competição” entre os dois e afirmou que trabalhariam juntos na campanha. Em 30 de junho, porém, a ex-primeira-dama deixou a presidência do PL Mulher, decisão que justificou como necessária para se dedicar aos cuidados com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e com a filha do casal.
Antes de Flávio ser escolhido como pré-candidato, Michelle chegou a ser citada entre os possíveis nomes da direita para a disputa presidencial. Ela também é pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal, mas ainda não confirmou se de fato vai concorrer ao cargo.
Maioria não vê ganho eleitoral com apoio de Michelle
A pesquisa também perguntou se a participação direta de Michelle na campanha aumentaria as chances de vitória de Flávio. Para 47% dos entrevistados, a participação dela não faria diferença nesse sentido, enquanto 38% acreditam que aumentaria as chances do senador; os demais 15% não souberam ou não quiseram responder.
Sobre a motivação de Michelle para publicar os vídeos, 34% dos entrevistados apontaram um possível desejo de se candidatar à Presidência no lugar de Flávio. Outros 25% citaram a oposição a alianças políticas das quais ela discorda, e 16% entenderam que ela buscava responder a ataques e desrespeitos sofridos. Ainda houve 4% que marcaram todos os motivos listados, 2% que apontaram outra razão e 19% que não souberam ou não quiseram responder.