4 republicanos desafiam Donald Trump por arquivos Epstein

Novas revelações sobre Jeffrey Epstein colocam pressão sobre Donald Trump, enquanto aliados no Congresso forçam votação

Crédito: RS/Fotos Públicas

A Casa Branca enfrenta uma tempestade política em duas frentes. Enquanto o presidente Donald Trump celebrava o fim da paralisação recorde do governo nesta última quarta-feira, dia 12, duas crises ligadas ao caso Jeffrey Epstein explodiram simultaneamente em Washington, testando a lealdade de seu partido e colocando a administração em modo de contenção de danos.

De um lado, deputados democratas divulgaram e-mails que sugerem que Trump tinha conhecimento das atividades criminosas de Epstein. Do outro, em um ato de rebelião que ameaça expor arquivos ainda mais sensíveis, quatro republicanos linha-dura se uniram aos democratas para forçar a liberação de todos os documentos sigilosos do Departamento de Justiça (DOJ) sobre o financista.

O que dizem os novos e-mails sobre Donald Trump e Epstein

Donald Trump
Donald Trump em evento de campanha em Milwaukee, no estado de Wisconsin, no início do mês – Jim Watson – 1º.out.2024/AFP

A ofensiva democrata foi cirúrgica. Na quarta-feira, o Comitê de Supervisão da Câmara liberou um pequeno, mas potente, lote de e-mails do espólio de Jeffrey Epstein. As mensagens, escritas pelo próprio Epstein antes de sua morte, pintam um quadro comprometedor da relação entre ele e o presidente.

Em uma das mensagens, destinada ao escritor Michael Wolff, Epstein afirma categoricamente: “é claro que [Trump] sabia das meninas”. A declaração seria uma referência à alegação, frequentemente usada por Trump, de que ele teria banido Epstein de seu clube em Mar-a-Lago justamente por assediar mulheres jovens.

Outro e-mail alega que Trump teria passado “horas” a sós com uma das vítimas de Epstein na residência do financista.

A reação da Casa Branca foi imediata. O presidente Donald Trump usou sua plataforma Truth Social para classificar o caso como a “Farsa Jeffrey Epstein“, acusando os democratas de usarem “calúnias” para desviar o foco da “vitória” republicana no fim do shutdown.

A secretária de imprensa, Karoline Leavitt, reforçou o discurso: “Democratas e a mídia liberal vazaram seletivamente e-mails para criar uma narrativa falsa e difamar o presidente Donald Trump“. A Casa Branca reiterou que o presidente Trump classificava Epstein como um “nojento” e “pedófilo“.

A ‘rebelião’ republicana de 4 aliados

Contudo, a pressão sobre Donald Trump não vem apenas dos democratas. O perigo maior para a administração reside em uma manobra processual no Congresso conhecida como “petição de descarga” (discharge petition).

Essa ferramenta, raramente bem-sucedida, permite que uma maioria simples de 218 membros force uma votação em plenário sobre um projeto de lei, mesmo contra a vontade da liderança da Câmara — neste caso, o presidente da Câmara é Mike Johnson, um aliado de Trump.

Na quarta-feira, a petição para liberar todos os arquivos do DOJ sobre Epstein atingiu as 218 assinaturas necessárias. Isso só foi possível porque quatro republicanos do MAGA (Make America Great Again), Thomas Massie, Marjorie Taylor Greene, Lauren Boebert e Nancy Mace, romperam com a liderança e assinaram o documento.

A ironia é que muitos apoiadores de Donald Trump também exigem a liberação dos arquivos, acreditando que eles exporiam elites democratas. Agora, Boebert e Mace, duas das mais vocais aliadas do presidente, estão usando a promessa de campanha de Trump (de transparência no caso Epstein) contra a própria Casa Branca, que tenta desesperadamente manter os arquivos selados.

Donald Trump
Divulgação

Reunião na ‘Situation Room’ e pressão sobre Boebert

A gravidade da situação para a Casa Branca foi evidenciada pelas ações de emergência tomadas na quarta-feira. Fontes confirmam que reuniões de alto nível ocorreram na Situation Room para discutir a petição.

Logo depois, a procuradora-geral Pam Bondi, o vice-procurador-geral Todd Blanche e o diretor do FBI Kash Patel reuniram-se pessoalmente com a deputada Lauren Boebert. O objetivo: pressioná-la a remover seu nome da petição.

Segundo relatos, Boebert e Mace recusaram o apelo da Casa Branca, mantendo suas assinaturas.

Leia mais: Trump anuncia corte de US$ 5 bilhões em ajuda externa

Por que o ‘Caso Epstein’ é um risco para Donald Trump em 2025?

Enquanto os e-mails divulgados pelos democratas geram manchetes negativas, o risco político para Donald Trump é significativo e duplo. A “rebelião” de Boebert e Mace é, talvez, mais perigosa que os próprios e-mails.

Os democratas podem controlar a narrativa com vazamentos selecionados. A petição de descarga, no entanto, abre a caixa de Pandora: ela pode forçar a liberação de milhares de documentos não filtrados do DOJ, cujo conteúdo é desconhecido e incontrolável pela Casa Branca.

Para uma administração que acaba de sair de uma paralisação de 42 dias que minou a confiança do público, a reabertura do caso Epstein — impulsionada não só por opositores, mas por aliados fervorosos — é uma crise que ameaça consumir a agenda política de Washington.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 14/11/2025
  • Fonte: Sorria!,