Apenas 20% das rodovias do Brasil têm alto nível de segurança

Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes revela que a maior parte da estrutura viária nacional agrava os riscos de acidentes.

Crédito: Artesp

A segurança nas rodovias brasileiras apresenta alto padrão de proteção aos motoristas em apenas 19,9% (22.694 km) da malha nacional. A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) divulgou os dados nesta quarta-feira (3), após analisar 114.197 quilômetros de estradas em todo o país para compor o Índice de Perdão nas Rodovias.

A segurança nas rodovias brasileiras é medida pela capacidade da infraestrutura de atenuar o impacto e a gravidade dos acidentes. Equipamentos de segurança passiva, como barreiras de contenção, acostamentos adequados, atenuadores de impacto e áreas livres de obstáculos, determinam a nota e o nível de perdão de cada trecho.

Cerca de 37,5% (44.770 km) das vias oferecem alto perigo aos usuários devido à infraestrutura inadequada. O nível de risco é considerado médio na maior parte da extensão avaliada, alcançando 42,7% (48.733 km) do total monitorado pelo levantamento.

Concessões privadas garantem maior segurança nas rodovias brasileiras

O modelo de gestão reflete diretamente na segurança nas rodovias brasileiras. Vias administradas pela iniciativa privada registram alto índice de proteção em 62% (18.670 km) de sua extensão, enquanto o risco máximo atinge uma fatia mínima de apenas 2,4% (718 km).

As estradas sob administração pública estadual ou federal mostram um cenário inverso e preocupante. Metade dessa malha (42.052 km) oferece baixa segurança. O percentual de alto padrão nas vias públicas caiu de 6,2% em 2024 para 4,8% (4.024 km) na edição atual.

A terceira edição do painel confirma que a qualidade da infraestrutura viária impacta diretamente a gravidade dos acidentes”, afirmou a diretora-executiva da CNT, Fernanda Rezende.

Desigualdade regional na malha viária

O estado de São Paulo lidera os índices positivos das rodovisas brasileiras. Cerca de 70% dos quase 11 mil quilômetros paulistas avaliados apresentam elevado padrão de proteção, com apenas 518 quilômetros enquadrados como risco elevado pelo estudo da confederação.

Unidades da federação localizadas no Norte e Nordeste registram os maiores déficits de segurança nas rodovias brasileiras. O Amazonas tem 74,7% de sua malha classificada com baixo índice de perdão, seguido pelo Maranhão, com 74,3%. O Amapá e Roraima não possuem nenhum quilômetro com avaliação máxima.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou em nota que monitora as condições de trafegabilidade por meio de metodologia própria. O órgão federal afirma que 75% das rodovias sob sua responsabilidade em território nacional estão em bom estado de conservação.

A Secretaria de Estado da Infraestrutura do Maranhão relatou manter serviços contínuos de sinalização viária e conservação. A pasta equivalente no Amazonas argumentou que a pesquisa monitorou predominantemente vias federais no estado e incluiu uma única rodovia estadual que passa por obras no momento.

Raio-X da quilometragem avaliada por região

RegiãoAlto Perdão (km)Médio Risco (km)Baixo Perdão (km)Total Geral (km)
Centro-Oeste2.6069.1458.28420.035
Nordeste1.89512.91615.48330.294
Norte4775.1898.31513.981
Sudeste12.68612.5045.72930.919
Sul5.0308.9794.95918.968

Os governos estaduais do Amapá e de Roraima não se manifestaram sobre os dados do levantamento. A disparidade crônica entre as gestões pública e privada evidencia os desafios estruturais para padronizar e elevar a segurança nas rodovias brasileiras nos próximos anos.

  • Publicado: 04/06/2026 10:37
  • Alterado: 04/06/2026 10:37
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: FolhaPress