1 em cada 5 jovens não conclui o ensino médio no Brasil
Relatório da OCDE aponta que o Brasil supera a média global de abandono escolar. Mulheres lideram os índices de conclusão da etapa.
- Publicado: 29/09/2026 07:36
- Alterado: 29/09/2026 09:04
- Autor: Thiago Antunes
Um em cada cinco estudantes que ingressam no ensino médio no Brasil não chega à conclusão da etapa. 20% dos alunos da etapa no país não permanecem matriculados até dois anos após o tempo previsto para o término. Os dados integram o relatório Education at a Glance 2026, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A proporção brasileira de evasão escolar no ensino médio supera a média global de forma preocupante. Na comparação com outras nações avaliadas pela organização, a média internacional registra 12% de abandono. Apenas 79% dos novos ingressantes concluem os estudos no prazo estendido no Brasil, número inferior aos 85% globais.
Cenário internacional e disparidades no ensino médio
O levantamento revela uma diferença significativa na permanência de estudantes do ensino médio entre os países. Nações europeias e norte-americanas lideram as taxas de sucesso educacional. O ambiente escolar e as políticas de retenção separam o desempenho nacional do resultado alcançado por países desenvolvidos.
- Canadá, Colômbia e Irlanda apresentam taxas de conclusão de 90% ou mais.
- Suécia, Itália e Portugal mantêm índices de aprovação acima de 83%.
- Dinamarca registra 75% de conclusão, percentual ligeiramente inferior ao brasileiro.
- 1% dos estudantes brasileiros permanecem matriculados com atraso, enquanto a grande maioria do contingente evadido já abandonou totalmente o sistema.
Mulheres lideram os diplomas escolares
O recorte de gênero evidencia vantagens claras para as estudantes. As mulheres têm probabilidade 7 pontos percentuais maior de obter o diploma em comparação aos homens. O documento da OCDE expõe que 23% dos homens deixam a escola sem diploma no Brasil, consolidando a maior taxa de evasão masculina registrada entre os países analisados nessa modalidade.
A lacuna entre os gêneros atinge 8 pontos percentuais de diferença na taxa de abandono da educação geral, posicionando o Brasil ao lado de Israel no topo desse ranking negativo. O afastamento masculino repete o padrão nos cursos de formação profissional ao redor do mundo, onde homens registram taxa média de abandono de 22%.
Fatores estruturais e insatisfação docente
O abandono escolar durante o ensino médio reflete um afastamento progressivo alimentado por múltiplos fatores institucionais e sociais. Baixo desempenho, faltas reiteradas e falta de apoio escolar empurram os jovens diretamente para fora das salas de aula. O quadro estrutural das instituições agrava o diagnóstico e afasta os talentos.
A valorização dos educadores afeta de forma direta a qualidade e a continuidade do ensino básico. O levantamento expõe que 9% dos professores de escolas públicas brasileiras não são totalmente qualificados. O descontentamento avança pelas salas dos professores, já que apenas 44,3% dos professores do ensino fundamental II declaram satisfação com as condições de trabalho. A remuneração motiva críticas constantes, com apenas 22,3% dos docentes satisfeitos com seus salários.
Redução histórica de jovens sem diploma
Uma parcela da população demonstra recuperação tardia na escolaridade ao longo da vida adulta. O relatório aponta que a proporção de brasileiros de 25 a 34 anos sem diploma caiu de 35% em 2016 para 26% em 2024. O avanço nas estatísticas gerais exige atenção estrutural focada nos sinais imediatos de evasão, exigindo intervenções rápidas das escolas para garantir a permanência efetiva dos adolescentes no ensino médio.