15 anos da Política Nacional de Resíduos Sólidos: SP gasta cerca de U$50 milhões com lixo em locais inapropriados
Desafios persistem na capital paulista
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 22/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Quinze anos após a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a cidade de São Paulo ainda enfrenta o descarte inadequado de lixo em vias públicas, calçadas e córregos.
O secretário municipal de limpeza urbana, Osmario Ferreira, destaca a complexidade da gestão de resíduos em uma metrópole com mais de 12 milhões de habitantes, que gera diariamente cerca de 15 mil toneladas de lixo. “Todos os dias me perguntam por que aquele ponto está sujo, sendo que foi limpo três horas antes”, afirmou o secretário. “São três mil pontos viciados em descarte irregular que temos que enfrentar constantemente.
Além do descarte irregular, a população não tem respeitando as regras dos ecopontos. “A pessoa pode levar um metro cúbico por dia, que é gratuito. Ela pode levar sete metros cúbicos por semana. Mas não, ela quer levar tudo no mesmo dia. Nesse caso, falta percepção que, se eu levar sete metros cúbicos no dia, eu tiro o direito de outros levarem”, completou.
Cultura do descarte e apatia social
Segundo Osmario, há uma falta generalizada de consciência sobre a responsabilidade compartilhada na gestão dos resíduos. “A cidade gasta 50 milhões de dólares por mês com a coleta de lixo, um valor que poderia ser destinado à saúde, educação ou transporte. E mesmo assim, vemos gente jogando lixo na porta das escolas, dizendo que a prefeitura tem obrigação de limpar”, critica.
O secretário alerta para a apatia de parte da população, que não respeita os limites de descarte nos ecopontos ou ignora os serviços públicos como a Operação Cata-Bagulho.
“Recolhemos quase 500 mil toneladas de entulho de construção das ruas só em 2024. E ainda assim, há quem prefira jogar na calçada, mesmo com 128 ecopontos espalhados pela cidade”, lamenta. Ele acrescenta que há caminhões que passam até cinco vezes por dia no mesmo local e que mesmo assim o lixo reaparece, revelando um comportamento recorrente e preocupante.
Avanços e ações para um futuro mais sustentável
Apesar das dificuldades, Osmario acredita que há caminhos concretos para mudanças estruturais. Ele lidera grupos de trabalho para atualizar o Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGS), o Plano Municipal de Saneamento Básico e para a criação de políticas públicas para catadores. “Na próxima Virada Cultural, São Paulo contratará diretamente catadores para atuar na limpeza. É um marco na valorização do trabalho dessas pessoas”, pontua.
Além disso, o município tem promovido intercâmbio com cidades internacionais, como Copenhague, para pensar em soluções educativas e inovadoras. “Nas escolas de lá, são os próprios alunos que cuidam da limpeza. A gente precisa mudar o paradigma aqui também. Não é mais só reciclável e não reciclável. Precisamos falar em cidadania ambiental”, afirma.
A cidade também se prepara para lançar um chamamento público abrangente para logística reversa. “Brinco que será da embalagem de ouro ao urânio. Queremos envolver cooperativas e buscar destinos ambientalmente corretos para todos os resíduos gerados.”
Educação e pertencimento como chave para a mudança
Para Osmario, não basta investir em coleta e fiscalização se a população não mudar sua percepção sobre o lixo. “Não adianta revitalizar um espaço e no dia seguinte ter lixo em cima da floreira. A cidade é de todos, e todos precisam cuidar dela. Não existe resíduo do outro, o lixo é nosso”, reforça.
A fala do secretário expõe o contraste entre as intenções da Política Nacional de Resíduos Sólidos e a realidade das grandes cidades. A capital paulista, apesar de avanços, ainda sofre com uma lógica de consumo e descarte que exige mais do que tecnologia: demanda engajamento social, educação ambiental e políticas públicas robustas. Como ele resume: “A gente precisa se indignar com esse quadro. Não dá para viver em sociedade sem responsabilidade coletiva.”