10 KM Tribuna trava Santos entre esporte e caos no trânsito

Os 10 KM Tribuna transformaram Santos em palco de festa esportiva, mas bloqueios no trânsito, ônibus parados e congestionamentos também marcaram a manhã da tradicional corrida

Crédito: Reprodução/Redes Sociais e Divulgação/Prefeitura de Santos

A manhã do último domingo (17) foi especial para quem levantou cedo, encarou a garoa e foi correr os tradicionais 10 KM Tribuna Terracom em Santos. Mas, para trabalhadores que dependiam do transporte público, motociclistas de aplicativo e motoristas tentando apenas atravessar a cidade, a realidade foi bem diferente: enquanto alguns corriam por medalhas, outros pareciam disputar resistência dentro de ônibus parados no trânsito.

A 40ª edição dos 10 KM Tribuna reuniu impressionantes 25.223 inscritos e transformou Santos em uma verdadeira arena esportiva ao ar livre. O clima era de festa nas avenidas bloqueadas, com atletas profissionais, amadores e aquele clássico corredor que promete “só participar” e termina postando tempo no Instagram como se estivesse nas Olimpíadas.

Mas bastou sair do percurso oficial dos 10 KM Tribuna para encontrar um cenário menos inspirador.

Mobilidade virou prova de paciência

Embora a celebração do esporte seja o grande foco do evento, a logística urbana acabou levantando críticas entre moradores e trabalhadores que precisaram circular pela cidade durante a manhã.

Entre os principais bloqueios estiveram:

O problema é que as chamadas “rotas alternativas” acabaram virando um encontro coletivo do desespero.

O “efeito funil” nos 10 KM Tribuna

A Companhia de Engenharia de Tráfego direcionou parte dos veículos e linhas de ônibus para a Avenida Epitácio Pessoa. Até aí, parecia uma solução lógica. O detalhe é que a avenida cruza justamente com a Avenida Almirante Cochrane — que fazia parte do trajeto dos 10 KM Tribuna.

Resultado: um gigantesco efeito funil.

Na prática, ônibus ficaram travados por longos minutos, carros praticamente não saíam do lugar e motociclistas de aplicativo encaravam congestionamentos dignos de feriado prolongado na entrada da Baixada Santista.

Na Avenida Epitácio Pessoa, filas quilométricas de ônibus chamaram atenção de quem passava pela região. Enquanto isso, passageiros observavam o relógio correndo mais rápido do que muitos atletas da prova.

Fechamento de acesso à Santa Casa gerou preocupação

Outro ponto que gerou críticas foi a interrupção temporária do Túnel Rubens Ferreira Martins e da Avenida Waldemar Leão, vias importantes de acesso à Santa Casa de Santos.

Apesar de o bloqueio ter ocorrido apenas durante parte da manhã, moradores questionaram possíveis impactos na circulação de ambulâncias e atendimentos emergenciais.

A discussão reacende um debate antigo em Santos: como equilibrar grandes eventos esportivos com a mobilidade urbana de uma cidade já conhecida pelos gargalos viários em horários comuns.

Nem só de caos viveram os 10 KM Tribuna

Apesar dos transtornos, o evento também teve saldo extremamente positivo para o turismo e para a economia local. Hotéis registraram aumento na ocupação, restaurantes receberam atletas de diferentes estados e a movimentação na orla foi intensa desde as primeiras horas do domingo.

A edição deste ano dos 10 KM Tribuna também marcou a consolidação da prova como uma das corridas de rua mais tradicionais do Brasil. Criada em 1985 pelo jornal A Tribuna, a competição já virou patrimônio esportivo da Baixada Santista.

Os 10 KM Tribuna também reforçou o peso esportivo e econômico da prova para Santos. Segundo dados da Prefeitura, a corrida recebeu atletas de 25 estados brasileiros — apenas Piauí e Roraima ficaram de fora — e mais de 57% dos inscritos vieram de fora da Baixada Santista.

A prova também entrou oficialmente para o calendário da World Athletics, aumentando ainda mais o status internacional do evento.

Outro detalhe que chamou atenção foi o impacto no turismo: hotéis da Cidade chegaram a registrar cerca de 75% de ocupação durante o fim de semana da corrida, movimentando restaurantes, bares e o comércio local.

Os 10 KM Tribuna ainda mantêm a fama de “corrida mais rápida do Brasil” na distância, graças ao percurso totalmente plano e praticamente ao nível do mar, algo muito valorizado por atletas que buscam recordes pessoais. Não à toa, a reta final na orla do Gonzaga virou praticamente um corredor de incentivo, com milhares de pessoas acompanhando os atletas até a chegada.

A edição de 40 anos também teve clima nostálgico. O hexacampeão Marilson Gomes dos Santos voltou a participar da prova e completou o percurso ao lado da esposa, a atleta olímpica Juliana Santos, sendo bastante ovacionado pelo público.

No masculino, o campeão foi o queniano Vestus Chemior, com o tempo de 28min57s. Já no feminino, a ugandense Nancy Cheptegei venceu com 34min36s, liderando uma dobradinha africana no pódio.

  • Publicado: 18/05/2026 16:56
  • Alterado: 18/05/2026 16:56
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: ABCdoABC